segunda-feira, novembro 06, 2006

Estarei a ficar senil? Ou cleptomaníaco?

Hoje, após uma reunião técnica reparei que tinha uma carteira em cima do meu bloco de notas. Não era minha, por isso perguntei de quem era.
Para meu grande espanto ninguém se acusa - éramos três - vai dai um dos colegas abre a carteira e para meu espanto o BI indicava que a carteira era de um meu outro colega de área, pela secretária do qual eu tinha passado para analisar um problema.

Por algum motivo que não compreendo, eu peguei na carteira do meu e levei-a comigo sem dar por isso.

Como atenuante, tenho que dizer que a carteira é dele é muito parecida com a minha e que tenho o hábito de retirar a carteira do bolso durante as reuniões (ando sempre com a carteira no bolso de trás das calças, e tiro-a sempre que me sento devido a se tornar desconfortável graças à bunda sobredimensionada de tipo casado com trabalho sedentário)

Depois de contar o episódio à minha mulher para sondar razões para o sucedido (coitados dos médicos, levam com as perguntas mais absurdas e a malta está sempre à espera de uma resposta imediata e sem dúvidas) ela olha para mim com um ar condescendente e nada espantado como quem diz "Tens um problema tens, és um distraído do tremendo"

Por isso pessoal, caso tenha desaparecido alguma coisa da vossa mesa depois de eu ter passado por lá, digam-me qualquer coisa, posso tê-la levado inadvertidamente :-)

quinta-feira, novembro 02, 2006

Em defesa da honra!

Pois é... depois de meses de ausência tenho de voltar a blogar. Tudo isto porque a minha amiga Florença fez uma acusação muito grave a meu respeito!

Em primeiro lugar, muito antes de "Passado, lá longe:", mais precisamente à "muito, muito tempo atrás, numa galáxia muito distante" eu comia diariamente no dito tasco.

Na altura eu era um trabalhador estudante teso e por vezes sem tempo para ir para a fila da cantina, o que bem me tramava:
- apesar do tasco ser barato, a comida da cantina era ainda mais barata
- as miúdas que estavam na fila da macrobiótica da cantina eram de regalar o olho. Sempre me entretia com a carne enquanto aguardava um prato de uma coisa qualquer a imitar bife com umas ervas sem sabor a grande coisa. Além disso, de vez em quando, arranjava-se uma sobremesa jeitosa!

Entretanto o tempo passou, terminei o curso. Por uns tempos, ainda continuei a ir à cantina da univ. (sim, grande mancha no meu rigor ético - aproveitar-me das refeições subsidiadas pelo estado... mas foi por boas causas...)

Com o tempo, passei a ganhar mais uns cobres e passei a dar-me a certos luxos, como comer pausadamente, sentado, com entradas de bolinhas de pão saloio e manteiga de alho, acompanhadas por umas azeitonas de elvas, bebida, sopa quentinha e um bom prato, terminadas por um café aromático. Tudo claro, a sensivelmente ao dobro do preço do tasco.

No entanto, uma coisa é certa: eu até posso vir a frequentar novamente o tasco, posso até considerar comer de pé num dia em que o tempo aperte, mas NUNCA PEDI, NUNCA IREI PEDIR UMA MEIA DOSE!.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Sobre o proteccionismo e o consumidor ético

Eu discordo das medidas proteccionistas cegas (leia-se tarifas alfândegárias para certo tipo de produtos) tanto como o Picuinhas. O proteccionismo apenas contribui para o nosso próprio atraso, vivemos num mercado global, e isso obriga-nos a competir globalmente. Acham sinceramente que termos regras especiais para o nosso cantinho vai impedir o colapso da nossa economia? Claro que não. Talvez adie o problema alguns tempos, mas a marcha da globalização é implacável e não vai esperar por nós.
Hoje em dia posso encomendar na internet produtos que me chegam às mãos dois dias depois da encomenda. Pelo caminho percorreram milhares de quilómetros numa complexa cadeia logística. Depois de feita a encomenda dão-me um código que permite, a qualquer momento, saber em que local do mundo ela está e quando vai chegar, vejam um exemplo recente:

globalizacao_encomenda

Isto, meus caros é a globalização. Antes de ter optado pelo site na web, tentei comprar o mesmo produto em várias lojas em Portugal. Nenhuma tinha produto disponivel para entrega, e das poucas que por acaso até vendiam o produto, vendiam-no a um preço exorbitante e sem dar qualquer garantia de prazo de entrega. Juntando a isso devo dizer que fui mal atendido por pessoas que não percebiam muito do assunto. Meus caros, perderam um cliente. E no dia em que todos os vossos clientes perceberem que estão a ser roubados por incompetentes podem crer que não vão ser as medidas proteccionistas que os vão salvar. O poder da escolha está no consumidor.

Mas faltou ao Picuinhas olhar um pouco mais além... Um consumidor usa o preço para escolher dois produtos de qualidade idêntica. Até aqui tudo bem, mas agora acrescento que um desses produtos foi feito com recurso à mão de obra escrava nas piores condições de dignade humana. Esse produto é mais barato que o outro, mas qual devemos escolher?

Como consumidores temos a obrigação moral de não dar suporte à essas políticas.

Mas como posso saber eu em que condições é que determinado produto foi feito? Só tenho uma etiqueta que diz "Made In China", e isso não quer dizer nada (da mesma maneira que uma etiqueta que diz "Made in Portugal" não me garante que as botas que comprei não foram feitas por mão de obra infantil algures). A verdade é que hoje não é possível saber, e na dúvida escolhe-se o mais barato.

Será que um dia vai ser possível fazer uma escolha? Se o comunismo chinês oferece menos direitos laborais que o capitalismo ocidental (uma coisa boa para o PCP e afins reflectirem e comentarem, em vez de recitarem a cassete do imperialismo americano) podem oferecer menores custos, e contra isso não é possível, de facto competir. Todas as indústrias ocidentais, não só portuguesas, de trabalho intensivo vão fechar ou mudar-se para lá. Um dia, mesmo que queiramos, não vamos poder escolher comprar uns sapatos que não sejam feitos na china. Será que o consumidor ético não vai poder fazer uma escolha e vai andar descalço?

Deveria de existir alguém que vigie as condições em que essas empresas trabalham e informar os consumidores. Vejam este documentário da BBC chamado "Made in China", e depois leiam também alguns comentários de espectadores e as respostas das pessoas envolvidas no documentário.

sábado, fevereiro 12, 2005

Ovídio, o Grande Mestre

Faz quatro anos que descobri, numa prateleira escondida da Fnac, um livro que na lombada trazia o título "A Arte de Amar".
Levado pela curiosidade peguei no livro, e para meu grande espanto, em vez de ser mais um kamaSutra, era uma tradução de Natália Correia e David-Mourão Ferreira de uma obra de Ovídio.

Li a introdução na diagonal, e saltei para o texto, que começa assim:
Se acaso existe alguém entre este povo
que da arte de amar nada conheça
leia o presente livro - a ver se douto
fica nesta matéria que lhe interessa...
Graças à arte é que no mar os barcos
com velas e com remos vão vogando;
graças também a ela vão os carros
mais velozes nas pistas deslizando
(...)
Dizem que o Amor é fero, e não duvido
que muitas vezes me há-de resistir;
mas brando também é, por ser menino,
e talvez eu consiga dirigi-lo...
Comprei-o. Li-o e reli-o. O homem percebia muito do assunto. Um verdadeiro mestre. É incrivel como mais de dois mil anos depois, com milhentas revoluções industriais, políticas, tecnológicas e sexuais pelo meio, certas coisas não mudaram muito!

Esporadicamente irei colocar uma passagem do livro. Na realidade são três livros num só, 2 com conselhos para os homens, 1 para as mulheres. Parece que os homens precisam de mais dicas que as mulheres :-)

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

A cor da gravata e os botões de punho

Depois de assistir ao debate Santana Vs. Sócrates , fiquei com a sensação que perderam os dois, mas também não tinha muitas espectativas. Ficam alguns comentários:
  • Porque é que ficaram 20 minutos a discutir as os boatos? Se Sócrates quisesse mostrar a superioridade em relação à polémica, diria diria que o assunto estava encerrado e que não comentava mais a questão.
  • Santana Lopes insistiu em falar sobre a questão do casamento e adopção de crianças por homosexuais. Sócrates perdeu tanto tempo a tentar evitar o assunto que podia muito bem ter dado a posição dele. No entanto, além de me parecer irrelevante perante os problemas do país, a verdade é que o tema não é mencionado quer no programa de governo do PS quer no do PSD. Se não é mencionado em ambos porque é que perdem tempo a falar nele?
  • As supostas medidas para estimular o crescimento pareceram-me pouco convincentes. O estado tem cada vez menos peso na Economia, o furor das obras públicas vai diminuir com o secar dos apoios da UE, a atractividade de Portugal para o investimento externo não parece melhorar (a adesão de Paises de leste, bem mais próximos das grandes economias europeias, vai dar que falar).
  • O aumento da idade da reforma parece vir ajudar o problema da Segurança Social, mas ambos parecem ter ignorado um detalhe - Interessa às empresas/estado ter as pessoas a trabalhar tanto tempo? Não me parece. Não tenho formação em recursos humanos, mas a febre das reformas antecipadas que temos vivido parece-me decorrer das necessidade das empresas/estado de reduzirem o número de trabalhadores (muitos postos de trabalho tornaram-se e irão tornar-se obsoletos face às evoluções tecnológicas cada vez mais rápidas), substituirem pessoas com dificuldade de adaptação às novas tecnologias por pessoas com aparente maior formação, maior capacidade de adaptação e, principalmente, com menos regalias sociais (vencimento, mais horas de trabalho, contratos precários, etc). É bom ver que as principais forças políticas ainda têm objectivos de longo prazo, mas acham mesmo que vamos conseguir ter pessoas a trabalhar durante mais anos? Ou será que é uma forma de termos reformas antecipadas mais baratas?

Li ambos os programas de governo e parecem-me ser francamente similares no essencial. Então onde estão as diferenças? Hoje de manhã na Antena 1 ouvi um entendido em imagem (não me recordo do nome, nem da empresa para qual trabalhava) a comentar o debate e o suposto vencedor. Segundo ele Sócrates tinha uma gravata bordeaux (suposto sinal de modernidade) e Santana uma gravata azul claro e botões de punho (suposto sinal de conservadorismo e serenidade).
Já tenho as minhas dúvidas esclarecidas.....

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Como detectar argumentação falaciosa

Leiam o "Baloney detection kit". Foi baseado no livro "Demon Haunted World" de Carl Sagan (Podem encontrar a versão em Português aqui)

domingo, janeiro 30, 2005

Alternativa aos programas de governo?

Os programas de governo podem dar uma ideia da orientação estratégica de cada um dos partidos, mas não são muito credíveis. Porquê? São uma longa lista de intenções, sem oferecer grandes garantias de praticabilidade.
Sugeria que em vez de um programa de governo, fosse apresentado um orçamento de governo, com as medidas previstas e respectivo impacto orçamental. Isto tornaria a campanha eleitoral mais interessante, pois obrigava a justificar os valores apresentados. O mérito de cada uma delas podia ser mais facilmente comparado, podendo o eleitor fazer uma escolha mais informada.